Pergunta da semana: Os Dire Straits e o álbum Brothers In Arms são sobre-valorizados ou sub-valorizados?

By on 08-10-2016

A partir de agora o Cowboy Cantor irá ter uma pergunta por semana feita nas redes sociais, no podcast e aqui na página, num artigo onde apresento as respostas da questão da semana da anterior. Fico à espera das vossas respostas.

Pergunta da próxima semana: Celebrando os 25 anos de edição de Nevermind, qual a importância dos Nirvana e do álbum para a vossa relação com a música?

Pergunta da semana: Os Dire Straits e o álbum Brothers In Arms são sobre-valorizados ou sub-valorizados?

Lembro-me que em meados dos anos 90 dediquei On Every Street a uma rapariga numa festa. Não sei porque o fiz. Apeteceu-me. Era minha amiga, vivia no Canadá, e em cada Verão que vinha à Maia, São Miguel, ficávamos horas a falar de música. Nesse Verão teríamos uns 14 ou 15 anos. Falávamos de Depeche Mode, Aerosmith, Guns N’ Roses, Bruce Springsteen, artistas independentes do Canadá, mas especialmente falávamos de Extreme. Sim, Extreme. Ela até me ofereceu, em cassete, o álbum Waiting for the Punchline, gravação original.

Estando nessa festa e dedicando-lhe On Every Street, ela vem ter comigo e mais ou menos diz-me:

– Ouvi bem? Dedicaste essa canção a mim? Não conheço o grupo.

Ó meu Deus, pensei eu. Dire Straits? Gostas tanto de música, conheces os maiores artistas e artistas que só tu provavelmente conheces, e não conheces os Dire Straits? Naquela altura terei pensado que os Dire Straits eram apenas uma mania dos europeus. Mas acreditem, esse momento tem sido um momento muito doloroso para a minha auto-estima musical. Como é que era possível os Dire Straits não serem conhecidos no Canadá central? Está bem, se calhar era só essa minha amiga que não os conhecia. De qualquer forma, sempre que falo com alguém sobre música, os maiores grupos os melhores álbuns, os Dire Straits e Brothers In Arms quase nunca surgem como primeiras referências. Devemos ou não ter mais em conta o nome que abriu o canal televisivo de música mais conhecido em todo o mundo? É preciso também recordar que das 9 faixas de Brothers In Arms, 5 fazem parte da compilação de maiores êxitos da banda.

De respostas simples como claro que sim, devíamos ter mais em conta os Dire Staits, até respostas desinteressadas como e onde está o Use Your Illusion I e II na lista de 500 melhores álbuns para a Rolling Stone, recebi respostas que fazem da minha questão um caso-de-estudo.

Bruno Guerreiro, guitarrista, muito ligado ao metal, para quem os Iron Maiden são a maior referência, disse que ficava fascinado com o vídeo de Money For Nothing. Com 3 anos adormecia ao som de Why Worry?

Stuart Morisson, locutor da Insomnia Radio, refere que no final dos anos 70 tinha um grupo de amigos que eram habituais frequentadores de clubes nocturnos, onde preferencialmente se ouvia rock progressivo, disco e punk. Esse mesmo grupo de amigos tinha por hábito ir a concertos, e num desses concertos com bilhetes oferecidos, o animador pôs a tocar Sultans of Swing, antes do artista entrar em palco. Na altura houve algumas reprovações no início da canção, mas no final do concerto o d.j. foi obrigado a voltar a pôr Sultans of Swing. Embora Stuart Morisson goste do álbum Brothers In Arms, para si o melhor álbum dos Dire Straits é o álbum de estreia.

Jonny Dobson, The Edinburgh Man Podcast, acredita que hoje em dia é um certo burburinho a mais em relação aos Dire Straits. É certo que já não gosta muito deles como há uns anos, especialmente porque Brothers In Arms foi o primeiro álbum que comprou, em vinyl, claro. Para Jonny o álbum foi bom na altura, mas há outros álbuns do grupo que terão sido mais importantes e mais influentes. Talvez a história não tenha feito jus ao valor dos Dire Straits. Talvez? Talvez. Vejam a próxima reposta.

Dave Lee, locutor de The Bugcast, não acredita que Brothers In Arms seja um álbum sub-valorizado hoje em dia, mas por outro lado os Dire Straits são. O problema foi o mesmo de sempre com todas as bandas que começam com um som muito próprio, mas depois tentam algo mais comercializável. Dave refere que: Linkin Park went exactly the same way with Minutes to Midnight, sure some of their best material is on that album, but then some of it is just commercially appealing junk.

Why Worry? e Brothers In Arms são as canções preferidas, mas o resto do álbum, apesar de ser um bom álbum, não deixa de ser apenas um álbum feito para vender, e fugindo ao som característico e original dos Dire Straits. Foi um álbum que serviu essencialmente para chamar à atenção para os álbuns em formato disco digital. Embora muita gente tivesse Brothers In Arms em vinyl, o álbum em c.d. soava muito bem. Este locutor acredita que mesmo hoje em dia se compararmos a versão vinyl com a versão c.d. teríamos uma agradável surpresa com o som do disco digital. Dave Lee termina dizendo que Brothers In Arms foi apenas isto, nada de especial para além de ser um sucesso comercial e ser um apelo ao formato disco digital. Haverá certamente outros álbuns muito mais interessantes, sobretudo Communique, mas o álbum preferido será mesmo o álbum ao vivo Alchemy.

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